Imaginem alguém pequeno. Beeem pequeno. Uma criança de uns 4 ou 5 anos. Ela estudava perto de casa e sua mãe a levava e buscava todo dia na escola. Ela era adorada por (quase) todos, e a mãe já ouvia elogios da parte das professoras sobre ela, tendo apenas um defeito (que a seguiu por toda a vida escolar): falava pelos cotovelos, inclusive durante as aulas. Mas era uma ótima aluna. Talvez por isso as professoras tenham a chamado para fazer a abertura da Festa de Encerramento daquele ano. Ou porque ela não tinha vergonha.
Deram a ela um papel do tamanho de um guardanapo com algumas frases de boas vindas aos pais. As professoras falaram a ela que era pra fazer uma SURPRESA para os próprios pais, então quando a mãe dela falou que ia ajudá-la a decorar o tal texto, ela ficou emburrada e falou:
- Não, a tia falou que era fazer surpresa, então eu lembro sozinha.
Sim, ela já era orgulhosa perto da mãe e bem metida (defeitos que em casa mantém o convívio dela e da mãe com ADRENALINA demais até hoje). Depois de uma semana, ela sabia o texto direitinho porque a 'tia' tinha ajudado ela e não era difícil, afinal, ela já tinha falado um poema no Dia das Mães na frente dos pais da sala dela. Não fora difícil. O dia tinha chegado e sua mãe havia a embonecado toda: sua roupa era toda branca, o collant, a sainha de tule era enfeitada com lantejoulas prateadas, meia calça e sapatilhas. Na cabeça, usava um coque que de tão apertado lhe doía mexer as sobrancelhas e uma tiara com um enfeite de pluma branca e lantejoulas prateadas. Sua mãe tinha a maquiado, exageradamente como sempre, e devia ter brilho até dentro de suas orelhas.
O lugar era bem grande, muito maior que o pátio da escola onde ela tinha declamado o tal poema. Havia muitas cadeiras e um palco enooorme a seu ver. Seus olhinhos brilharam e ela começou a pular de alegria. O nervosismo passara.
Ela se despediu da mãe e foi de mãos dadas com a diretora para o camarim onde tinha um monte de crianças se empurrando. O palco tinha uma cortina azul que estava fechada. A diretora a levou para atrás da cortina, e falou pra ela que estaria ali ao seu lado, do lado de trás da cortina se ela esquecesse. Mas ela não iria esquecer, sabia de cor e salteado.
Aí a diretora abriu a cortina de forma que só aparecesse a pequena bailarina de uns 4 ou 5 anos de olhos brilhantes e um microfone meio grande para seu tamanho. Ela olhou para a platéia e, como ainda não tinha miopia, conseguiu ver perfeitamente aquele mar de gente com as máquinas fotográficas viradas para ela e uma câmera bem perto do palco, direcionada para ela também. Respirou fundo, sorriu e começou:
- Boa noite! - ela disse, fazendo um 'pliê'. Piscou os olhinhos mais uma vez e... - Boa noite! - ela só lembrava essa parte! Olhou discretamente para o lado e a diretora, percebendo sua gigante aflição de fazer feio, começou a murmurar o texto para ela, de dentro da cortina. - É com muito prazer... - a diretora, que tinha luzes no cabelo, murmurou mais uma parte e a menina esperta continuou - Que a nossa escola... - murmurou a próxima parte, mas, desatenta, a pequena não entendeu e se inclinou um pouco na direção da diretora. Ela murmurou de novo e dessa vez ela entendeu - Apresenta essa noite...
"Hm...?" Ela não tinha entendido de novo e murmurou para a diretora. Entendeu, afirmou com a cabeça ligeiramente e continuou.
- O show de encerramento do... - depois de falar o nome da escola, a diretora já tinha falado a próxima frase e ela se atrapalhara.
"Quê?" falou baixinho. A diretora murmurou novamente ela realmente não tinha entendido o começo da frase. Sem pensar duas vezes, virou seu corpinho e perguntou:
- QUÊ? - a pergunta foi feita de maneira alta e clara. O único problema é que ela falou isso com o microfone perto da boca. Enquanto o salão ria, a diretora balançou a cabeça levemente e rindo, apareceu de detrás das cortinas, agachou ao lado da menininha que não compreendera nada. Nem as risadas e nem porque a diretoa resolveu aparecer. Mas ficou feliz, porque agora a diretora falava tudo pra ela e ela entendia e ia repetindo no microfone, com o maior sorrisão no rosto.
Ao fim do pequeno show, entregou o microfone para a diretora, agradeceu daquele jeito que as bailarinas fazem e saiu, toda empinada e orgulhosa para o camarim.
Seu pai, uma semana depois, mostrou a fita VHS que tinha toda a Festa gravada. A menininha ainda tem a fita, mas morre de vergonha de vê-la... até hoje.
Pré-disposição ao Exibicionismo.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Digerido por .Déa. às 09:34
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3 comentários:
Amiga, vc sempre foi uma figura, né!
hsauhuasus
aiii deia q crinaça mais sem noçao q vc era
hahaha! mais pelo menos muito mais corajosa q eu!
c fosse eu nu teu lugar ou eu chorava ou mi mijava tdo! hahaha
adorei seu texto!!
=DDD
Sempre arrasando!
Algo que tinha tudo pra dar errado acabou se consertando pela simpatia da menina, algo que ela tem até hoje!
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